domingo, 20 de abril de 2014

Surdocegueira X deficiência múltipla





Indivíduos com surdocegueira demonstram dificuldades em observar, compreender e imitar o comportamento de membros da família ou de outros que venham entrar em contato, isso ocorre devido à combinação das perdas visuais e auditivas que apresentam. Já as pessoas com D.M.U apresentam características específicas, lançando desafios à escola e aos profissionais que com elas trabalham, essas pessoas constituem um grupo com características específicas e peculiares e, consequentemente, com necessidades únicas.
A pessoa que nasce com surdocegueira ou que fica surdocega não recebe as informações sobre o que está sua volta de maneira fidedigna, ela precisa da mediação de comunicação para poder receber, interpretar e conhecer o que lhe cerca.
Seu conhecimento do mundo se faz pelo uso dos canais sensoriais proximais como: tato, olfato, paladar, cinestésico, proprioceptivo e vestibular.
Na deficiência Múltipla não garantimos que todas as informações muitas vezes chegam para a pessoa de forma fidedigna, mas ela sempre terá o apoio de um dos canais distantes (visão e ou audição) como ponto de referência, esses dois canais são responsáveis pela maioria do conhecimento que vamos adquirindo ao longo da vida.
De acordo com BOSCO, MESQUITA e MAIA apud Lagati (1995) Surdocegueira é uma condição que apresenta outras dificuldades além daquelas causadas pela cegueira e pela surdez. É uma deficiência única em que o indivíduo apresenta ao mesmo tempo perda da visão e da audição. É considerado surdocego a pessoa que apresenta estas duas limitações, independente do grau da perda auditiva  e visual. A surdocegueira pode ser congênita ou adquirida e não é uma deficiência múltipla.

Os autores baseados em McInnes (1999) afirmam que indivíduos com surdocegueira demonstram dificuldades em observar, compreender e imitar o comportamento de membros da família e de outros com os quais entre em contato, devido às combinações das perdas visuais e auditivas que apresentam.
Faz-se necessário incentivar e ensinar a pessoa com surdocegueira como fazer uso de sua visão e audição residuais, assim como outros sentidos remanescentes, provendo-as de informações sensoriais que despertem sua curiosidade. As perdas parciais ou totais da audição e visão fazem com que a informação do meio lhe venha divididas, por isso a necessidade de uma pessoa para mediar este processo se torna imprescindível. O surdocego precisa de um mediador bem próximo.
A pessoa com surdocegueira apresenta uma habilidade reduzida para antecipar eventos futuros por pistas do ambiente, por isso, durante o processo de comunicação o interlocutor tem a função de antecipar o que vai acontecer, estimulá-la a se comunicar, confirmar se está interpretando as informações e a todo momento comunicar o que ocorre no ambiente. Se a comunicação efetiva não for estabelecida na infância, o surdocego pode ao crescer, tornar-se um jovem ou um adulto com comportamentos inadequados para se comunicar.
Para ser considerada uma pessoa com deficiência múltipla, esta deve ter mais de uma deficiência associada. “É uma condição heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas, revelando associações diversas de deficiências que afetam, mais ou menos intensamente, o funcionamento individual e o relacionamento social” (MEC/SEESP, 2002). “Considera-se uma criança com deficiência sensorial aquela que apresenta deficiência visual auditiva, associada de comportamento e comprometimentos, sejam elas na área física, intelectual ou emocional, e dificuldade de aprendizagem”, (MEC/SEESP/2006). 

As pessoas com deficiências múltiplas constituem um grupo com características especificas e peculiares e, consequentemente, com necessidades únicas. Nesse sentido de acordo com o fascículo orientador do MEC (2002), faz-se necessário dar atenção a dois aspectos importantes: a comunicação e o posicionamento.
No aspecto da comunicação, o mediador será responsável por ampliar o conhecimento do mundo, visando proporcionar autonomia e independência. Quanto ao posicionamento faz-se necessário a adequação postural da pessoa com DMU para que possa fazer uso de gestos ou movimentos com os quais tenha a intenção de comunicar-se.
De acordo com BOSCO, MESQUITA e MAIA a partir e por meio do corpo, o homem descobre o mundo e a si mesmos, portanto é extremamente importante favorecer o esquema corporal ao trabalhar as necessidades específicas das pessoas com surdocegueira e com Deficiências Múltiplas. Para que estas pessoas possam se auto perceber e perceber o mundo exterior devem buscar a sua verticalidade, equilíbrio postural, a articulação e movimentos; o aperfeiçoamento das coordenações viso motora, motora global e fina; e o desenvolvimento da força muscular.
Mesmo quando a deficiência predominante não é na área intelectual, todo trabalho com o aluno com deficiência múltipla e com surdocegueira implica em constante interação com o meio ambiente. Este processo interacional é prejudicado quando as informações sensoriais e a organização do esquema corporal são deficitárias. Prever a estimulação e a organização desses meios de interação com o mundo deve fazer parte do plano de AEE.
Existem alguns recursos para a aprendizagem de alunos com surdocegueira e Deficiências Múltiplas, dentre os quais podemos citar Objetos de referência, caixas de antecipação e calendários.

Um comentário:

  1. Muito bem Ana Paula, seu texto foi muito bem construído. Abraços, Sandra.

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