Indivíduos com surdocegueira demonstram
dificuldades em observar, compreender e imitar o comportamento de membros da
família ou de outros que venham entrar em contato, isso ocorre devido à
combinação das perdas visuais e auditivas que apresentam. Já as pessoas com D.M.U
apresentam características específicas, lançando desafios à escola e aos
profissionais que com elas trabalham, essas pessoas constituem um grupo com
características específicas e peculiares e, consequentemente, com necessidades
únicas.
A pessoa que nasce com surdocegueira ou que fica
surdocega não recebe as informações sobre o que está sua volta de maneira
fidedigna, ela precisa da mediação de comunicação para poder receber,
interpretar e conhecer o que lhe cerca.
Seu conhecimento do mundo se faz pelo uso dos
canais sensoriais proximais como: tato, olfato, paladar, cinestésico,
proprioceptivo e vestibular.
Na deficiência Múltipla não garantimos que todas as
informações muitas vezes chegam para a pessoa de forma fidedigna, mas ela
sempre terá o apoio de um dos canais distantes (visão e ou audição) como ponto
de referência, esses dois canais são responsáveis pela maioria do conhecimento
que vamos adquirindo ao longo da vida.
De acordo com BOSCO, MESQUITA e MAIA apud Lagati
(1995) Surdocegueira é uma condição que apresenta outras dificuldades além
daquelas causadas pela cegueira e pela surdez. É uma deficiência única em que o
indivíduo apresenta ao mesmo tempo perda da visão e da audição. É considerado
surdocego a pessoa que apresenta estas duas limitações, independente do grau da
perda auditiva e visual. A surdocegueira pode ser congênita ou adquirida
e não é uma deficiência múltipla.
Os autores baseados em McInnes (1999) afirmam que
indivíduos com surdocegueira demonstram dificuldades em observar, compreender e
imitar o comportamento de membros da família e de outros com os quais entre em
contato, devido às combinações das perdas visuais e auditivas que apresentam.
Faz-se necessário incentivar e ensinar a pessoa com
surdocegueira como fazer uso de sua visão e audição residuais, assim como
outros sentidos remanescentes, provendo-as de informações sensoriais que despertem
sua curiosidade. As perdas parciais ou totais da audição e visão fazem com que
a informação do meio lhe venha divididas, por isso a necessidade de uma pessoa
para mediar este processo se torna imprescindível. O surdocego precisa de um
mediador bem próximo.
A pessoa com surdocegueira apresenta uma habilidade
reduzida para antecipar eventos futuros por pistas do ambiente, por isso,
durante o processo de comunicação o interlocutor tem a função de antecipar o
que vai acontecer, estimulá-la a se comunicar, confirmar se está interpretando as
informações e a todo momento comunicar o que ocorre no ambiente. Se a
comunicação efetiva não for estabelecida na infância, o surdocego pode ao
crescer, tornar-se um jovem ou um adulto com comportamentos inadequados para se
comunicar.
Para ser considerada uma pessoa com deficiência
múltipla, esta deve ter mais de uma deficiência associada. “É uma condição
heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas, revelando associações
diversas de deficiências que afetam, mais ou menos intensamente, o
funcionamento individual e o relacionamento social” (MEC/SEESP, 2002).
“Considera-se uma criança com deficiência sensorial aquela que apresenta
deficiência visual auditiva, associada de comportamento e comprometimentos,
sejam elas na área física, intelectual ou emocional, e dificuldade de
aprendizagem”, (MEC/SEESP/2006).
As pessoas com deficiências múltiplas
constituem um grupo com características especificas e peculiares e,
consequentemente, com necessidades únicas. Nesse sentido de acordo com o
fascículo orientador do MEC (2002), faz-se necessário dar atenção a dois
aspectos importantes: a comunicação e o posicionamento.
No aspecto da comunicação, o mediador será
responsável por ampliar o conhecimento do mundo, visando proporcionar autonomia
e independência. Quanto ao posicionamento faz-se necessário a adequação
postural da pessoa com DMU para que possa fazer uso de gestos ou movimentos com
os quais tenha a intenção de comunicar-se.
De acordo com BOSCO, MESQUITA e MAIA a partir e por
meio do corpo, o homem descobre o mundo e a si mesmos, portanto é extremamente
importante favorecer o esquema corporal ao trabalhar as necessidades
específicas das pessoas com surdocegueira e com Deficiências Múltiplas. Para
que estas pessoas possam se auto perceber e perceber o mundo exterior devem
buscar a sua verticalidade, equilíbrio postural, a articulação e movimentos; o
aperfeiçoamento das coordenações viso motora, motora global e fina; e o
desenvolvimento da força muscular.
Mesmo quando a deficiência predominante não é na
área intelectual, todo trabalho com o aluno com deficiência múltipla e com
surdocegueira implica em constante interação com o meio ambiente. Este processo
interacional é prejudicado quando as informações sensoriais e a organização do
esquema corporal são deficitárias. Prever a estimulação e a organização desses
meios de interação com o mundo deve fazer parte do plano de AEE.
Existem alguns recursos para a aprendizagem de
alunos com surdocegueira e Deficiências Múltiplas, dentre os quais podemos
citar Objetos de referência, caixas de antecipação e calendários.


